O extrato glicólico de calêndula é um ativo vegetal natural para enriquecer sabonetes, cremes e cosméticos. Feito com glicerina, álcool de cereais, água destilada, óleo de alecrim e flor de calêndula triturada, ele leva para os seus produtos o apelo da planta — tradicionalmente usada para acalmar a pele. Veja a receita completa, passo a passo.

Extrato glicólico = flor de calêndula triturada macerada em glicerina + álcool de cereais + água destilada, com óleo de alecrim. Deixe macerar, coe e use até 10% na fase fria (abaixo de 45 °C), uso externo.
Para que serve o extrato glicólico de calêndula
O extrato glicólico de calêndula é um ativo vegetal natural feito macerando a flor em uma base de glicerina (com um pouco de álcool e água). A calêndula é tradicionalmente usada para acalmar e cuidar de peles sensíveis e delicadas, e o extrato leva esse apelo para os seus sabonetes, cremes e loções. Ele pode ser incorporado a cremes, loções, géis, produtos de banho, máscaras faciais e produtos pós-sol, sempre em uso externo.
Vale situar a evidência. Como esse extrato entra em produtos leave-on (que ficam na pele), o paralelo com a literatura é mais legítimo do que no sabonete: a calêndula reduziu a radiodermatite num ensaio clínico (Pommier et al., 2004) e tem ésteres de faradiol anti-inflamatórios (Zitterl-Eglseer et al., 1997). Mas seja realista: os estudos usaram pomadas padronizadas em contexto médico, os resultados em feridas ainda são mistos e inconclusivos (revisão de Givol et al., 2019), e um cosmético caseiro não trata doença de pele. Posicione a calêndula como ativo calmante e antioxidante de apoio.
Ingredientes
- 180 ml de glicerina bidestilada
- 20 ml de álcool de cereais (ou etílico acima de 92°)
- 60 ml de água destilada
- 30 gotas de óleo de alecrim (ou óleo resina de alecrim)
- 15 g de flor de calêndula desidratada e triturada
Como fazer o extrato glicólico de calêndula passo a passo
- Triture bem a flor de calêndula desidratada.
- Em um frasco de vidro limpo, junte a glicerina bidestilada, o álcool de cereais, a água destilada, o óleo de alecrim e a flor triturada.
- Tampe bem e reserve ao abrigo da luz, agitando o frasco de vez em quando para os ativos se soltarem da flor.
- Passado o período de maceração, coe em um pano fino e descarte a flor.
- Guarde o líquido em frasco de vidro com tampa, limpo e seco.
Como usar o extrato nos seus produtos
O extrato entra na fase fria da formulação, com o produto em temperatura abaixo de 45 °C — adicione no final do preparo. A concentração recomendada é de até 10% sobre o total da receita, para uso externo. Comece com pouco e ajuste conforme a cor, o aroma e o desempenho do seu produto.

Vídeo: extrato glicólico de calêndula passo a passo
Quer um extrato mais concentrado? Use flor bem seca e triturada e deixe macerar alguns dias a mais, sempre agitando. Guarde em vidro escuro para proteger os ativos da luz e prolongar a validade.
Extrato para uso externo, em concentração de até 10%. Faça um teste de alergia antes de usar qualquer cosmético no corpo e higienize bem os utensílios. Leva álcool — mantenha longe de chamas. Não substitui orientação profissional de saúde.
Perguntas frequentes sobre o extrato glicólico de calêndula
Para que serve o extrato glicólico de calêndula?
Serve como ativo vegetal natural em cosméticos artesanais — sabonetes, cremes, loções, géis, máscaras e produtos pós-sol. A calêndula é tradicionalmente usada para acalmar e cuidar de peles sensíveis, então o extrato leva esse apelo para as suas formulações, sempre em uso externo.
Qual a diferença entre extrato glicólico e glicerinado de calêndula?
Os dois são extratos da calêndula em base de glicerina. Esta versão glicólica leva glicerina, álcool de cereais e água destilada, com a flor triturada e óleo de alecrim. O glicerinado costuma usar só glicerina e álcool com a flor inteira. Na prática, ambos entram na fase fria das receitas.
Quanto extrato de calêndula devo usar na receita?
A concentração recomendada é de até 10% sobre o total da formulação, adicionado na fase fria, com o produto abaixo de 45 °C. Comece com a menor quantidade e ajuste conforme a cor, o aroma e o resultado. É um ativo de uso externo, para sabonetes e cosméticos.
Por que adicionar só no final, abaixo de 45 °C?
Porque o calor pode degradar parte dos ativos da calêndula e evaporar componentes do extrato. Adicionar na fase fria, no fim do preparo, preserva melhor as propriedades e o aroma. Por isso, no sabonete de base glicerinada, o extrato entra já fora do fogo, com a base morna.
Quanto tempo dura o extrato de calêndula caseiro?
Guardado em frasco de vidro com tampa, em local seco, arejado e ao abrigo da luz e do calor, dura alguns meses. Por ser caseiro, observe sempre cor e cheiro antes de usar e prepare quantidades compatíveis com o seu consumo, mantendo sempre a higiene no preparo.
Fontes e referências
- POMMIER, P. et al. “Phase III randomized trial of Calendula officinalis compared with trolamine for the prevention of acute dermatitis during irradiation for breast cancer.” Journal of Clinical Oncology, v. 22(8), p. 1447-1453, 2004. PMID 15084618. (pomada leave-on de calêndula reduziu a radiodermatite num contexto médico)
- GIVOL, O. et al. “A systematic review of Calendula officinalis extract for wound healing.” Wound Repair and Regeneration, v. 27(5), p. 548-561, 2019. PMID 31145533. (evidência moderada em feridas agudas; resultados mistos/inconclusivos em feridas crônicas)
- ZITTERL-EGLSEER, K. et al. “Anti-oedematous activities of the main triterpendiol esters of marigold (Calendula officinalis L.).” Journal of Ethnopharmacology, v. 57(2), p. 139-144, 1997. PMID 9254116. (ésteres de faradiol como principais responsáveis pela ação anti-inflamatória — estudo pré-clínico)
- ANVISA — Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira e Memento Fitoterápico (monografias de plantas medicinais).
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